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Revista centenária é objeto de estudo de um projeto de pesquisa da FCJA

Publicação 15/07/2024 22:31, Atualização 19/05/2026 16:36

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Revista centenária é objeto de estudo de um projeto de pesquisa da Fundação Casa de José Américo


Um dos projetos de pesquisa, em execução na Fundação Casa de José Américo (FCJA), situada em João Pessoa, é "Os modernismos na Paraíba e o circuito de comunicação da revista 'Era Nova' (1921-1926)", que contém a história da imprensa e sociedade paraibana na década de 1920.

Com a coordenação da professora Alômia Abrantes da Silva (UEPB/FCJA), as pesquisas tiveram início em abril deste ano, com previsão de conclusão em março de 2025. Trata-se de um sub-projeto que integra o projeto geral "Preservação da memória e difusão educativa, cultural e científica do acervo da Fundação Casa de José Américo", em parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq/PB). A equipe da professora Alômia conta com os pesquisadores: Aline Praxedes de Araújo (História/SV), Turla Angela Alquete de Arreguy Baptista (Design/IFPB), Ana Esther de Carvalho Sarmento (Design/UFPB), Luiz Arthur Villarim Jácome (História/UFPB), com participação voluntária do professor Luiz Mário Dantas Burity (História/UEPB/FCJA).

O objetivo principal, segundo a coordenadora, é aprofundar a investigação histórica sobre a revista ilustrada e modernista 'Era Nova', editada na então Parahyba do Norte, que circulou quinzenalmente de 1921 a 1926. Alômia detalha que a nova fase do projeto é pesquisar sobre seus editores e principais colaboradores, traçando linhas de investigação sobre sua circulação e elementos de recepção.

"Contamos com a expertise de estudiosos da área do design para discutir aspectos de sua memória gráfica. Depois da digitalização dos cem números da revista, realizada ano passado, na vigência do subprojeto 'O modernismo na Paraíba: a revista 'Era Nova e a novela Reflexões de uma cabra', estamos também finalizando detalhes quanto ao acervo digital da mesma, para que futuramente este possa ser colocado disponível ao público interessado, da forma mais completa possível", detalha. O grupo se subdivide em demandas ligadas à História, Memória Gráfica e aporte técnico (organização da coleção digital).

Questionada sobre os benefícios para instituição e usuários, com o término do projeto, Alômia Abrantes esclareceu que a revista 'Era Nova' constitui um marco na vida intelectual e cultural da Paraíba, porém é ainda pouco conhecida fora dos círculos acadêmicos e, mesmo nesses, pouco abordada quando se pensa uma história da imprensa brasileira. "Com este projeto, a FCJA está contribuindo de forma consistente para que a 'Era Nova' possa ser mais ampla e qualitativamente conhecida, ocupando seu merecido lugar na história e memória gráfica dos periódicos ilustrados e modernistas que circularam no Brasil do início do século XX", prevê.

Concluído o projeto, o produto final, a ser disponibilizado ao público e pesquisadores, constará de relatórios, artigos em revistas e anais, a publicação de dois livros, em formato e-book, além de um livro, em parceria com o professor Luiz Mário Dantas Burity, que coordenou a fase anterior do projeto, sobre a história da Era Nova, trazendo análises da conceituação de modernismo de Estado, historicizando sua criação e aspectos da sua produção intelectual e gráfica. Também, organizando uma coletânea com autores, vinculados a diferentes instituições, que utilizam a 'Era Nova' como principal fonte documental de suas investigações. Cada publicação contará com divulgação ampla e ambas devem ser lançadas na nova edição do evento dedicado à revista, aberto ao público, que coroará o final desta fase atual do projeto, e que está sendo idealizado no formato de uma exposição sobre a revista e seu contexto histórico e cultural.

Histórico e curiosidades da 'Era Nova'

'Era Nova' foi uma revista ilustrada, com publicações quinzenal, editada na Cidade da Parahyba, entre 27 de março de 1921 e 24 de outubro de 1926, totalizando 100 números publicados. Impressa em parte em papel couché, em parte em papel sulfite, o periódico contava com fotografias, ilustrações e um projeto gráfico arrojado, na medida do que havia de mais moderno em termos técnicos e de discurso literário e visual na imprensa periódica da época.

A ideia partiu de um grupo de intelectuais da elite paraibana: Severino Lucena, Guimarães Sobrinho, Horácio de Almeida, J. J. Gomes, Epitácio Vidal e José Pessoa, mas ao qual logo se juntaram os confrades das rodas literárias, como José Américo de Almeida, Carlos Dias Fernandes, Celso Mariz, Alcides Bezerra, Eudésia Vieira, Analice Caldas, monsenhor Pedro Anísio, Diógenes Caldas etc. Os editores prometiam, desde as suas primeiras páginas, alargar o horizonte cultural da sociedade paraibana, como anunciava o seu editorial de abertura, “cooperando em prol das ideias fecundas, que são o apanágio intelectual dos povos cultos” (Era Nova, 27 mar. 1921).

A revista 'Era Nova' circulou regularmente entre os anos de 1921 e 1926. Era um periódico ilustrado, de inspiração modernista, que prometia apresentar ao público paraibano as novidades na literatura, nos hábitos sociais, nas modas e nas artes gráficas. Há ainda, em suas páginas, referências ao automóvel, avião, cinema, arquitetura, bem como a antigos hábitos da sociedade paraibana.

Na capa e no interior da revista, há fotografias de jovens senhoritas, tipo uma espécie de colunismo social. Tinha uma coluna de abertura do periódico, assinada por José Américo de Almeida, bem como a novela Reflexões de uma cabra (1922), publicada como resultado dos experimentos esboçados nesse espaço de discussões literárias.

O 'Projeto de Preservação da memória e difusão educativa, cultural e científica do acervo da Fundação Casa de José Américo', com coordenação geral da professora Lúcia de Fátima Guerra Ferreira, é realizado pela FCJA por meio de uma parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq/PB), e ainda tem o apoio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba (Secties-PB).

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