Publicação 13/08/2022 21:57, Atualização 19/05/2026 16:25
Com o título “Poetas da abolição”, o primeiro livro de José Américo de Almeida foi relançado nesta sexta-feira (12/08), na FCJA. Cem anos depois, a obra foi recuperada e atualizada por Milton Marques Júnior e Astênio César Fernandes.
José Américo de Almeida, na obra, discorreu criticamente sobre a chaga da escravidão no Brasil, com base em conferência realizada no Liceu Paraibano, no dia 13 de maio de 1921. Ele comenta poemas que tratam do tema e ressalta o papel de alguns dos mais importantes poetas brasileiros, a exemplo de Castro Alves, e de políticos, jornalistas e ativistas que lutaram pela abolição da escravatura, como José do Patrocínio e Luiz Gama.
“O interessante é que esse livro raramente é registrado nas obras de José Américo”, diz Fernandes. Para ele, a razão para isso pode estar no fato de “Poetas da abolição” não ter mais de 50 páginas, quantidade delimitada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) – que ainda não existia, à época – para que uma obra seja considerada um livro. “Por isso quisemos reeditá-lo, pois só assim ele terá o reconhecimento que merece”, acrescentou.
Segundo Marques Júnior, na conferência que se tornou livro, José Américo aprofundou a discussão sobre as consequências danosas da escravidão. “Ele procurou ler, nos poetas, o horror causado por esse sistema, sem, no entanto, abrir mão da preocupação social”, disse.
Autores – Astênio César Fernandes é médico, titular da cadeira 25 da Academia Paraibana de Letras (APL) e representante da família de José Américo no Conselho Administrativo da Fundação que o tem como patrono. Milton Marques Júnior é professor do curso de letras clássicas da Universidade Federal da Paraíba e autor de mais de 20 livros. É, também, membro da APL, titular da cadeira 40.