Publicação 26/06/2024 22:20, Atualização 19/05/2026 16:36
Itinerários literários de duas obras de José Américo são temas de projeto de pesquisa na FCJA
O processo de produção, circulação e estratégias editoriais de duas obras do patrono da Fundação Casa de José Américo (FCJA), escritas na década de 1920, é objeto de pesquisa já em ação na instituição, sediada em João Pessoa. Com o título "De A Paraíba e seus problemas à A Bagaceira: itinerários de José Américo de Almeida" o subprojeto recém-iniciado é previsto para apresentar os primeiros resultados em março de 2025.
Integrando o projeto geral de 'Preservação da memória e difusão educativa, cultural e científica do acervo da Fundação Casa de José Américo', o subprojeto é coordenado pelo professor Luiz Mário Dantas Burity (UEPB), com participação dos pesquisadores: Huerto Eleuterio Pereira de Luna (Letras/SEE-PB), Janyne Paula Pereira Leite Barbosa (História/SEE-PE). Iniciação Tecnológica - Lívia Maria Silva Ferreira de Matos (Letras/UFPB) e Valéria Farias de Sousa (Letras/UFPB).
Em plena atividade, desde o início do ano, a equipe visa compreender os processos de produção, circulação e recepção das obras de José Américo de Almeida, da década de 20: "A Paraíba e seus problemas" (1923), ensaio que reflete estudos de Economia, Geografia Humana e Sociologia; e o romance "A Bagaceira" (1928), considerando um marco na literatura brasileira, que lhe confere projeção nacional, como escritor.
O coordenador Luiz Burity esclarece que, na realidade, a equipe está dando continuidade a uma outra pesquisa que versava especificamente sobre 'A Paraíba e seus problemas', agora tendo como foco outros textos do autor da década de 1920 e, principalmente, o romance A Bagaceira.
"Estamos nos aventurando sobre as várias edições de A Bagaceira, jornais e inúmeros outros documentos, no intuito de compreender melhor o processo de construção da obra - como era a rotina do autor durante a escrita, quem eram suas referências, quais as suas intenções com a obra e que mudanças foram feitas entre uma edição e outra", detalha o coordenador e prossegue
"O nosso foco é compreender melhor a circulação da obra - as editoras que publicaram, como foram os acordos para a publicação, tiragem, projetos editoriais - e a recepção, em seus aspectos mais amplos, desde as críticas publicadas nos jornais, respostas oferecidas nas cartas, até a circulação nas escolas por meio de editais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE)"
"A nossa proposta, prossegue o professor Burity, é oferecer um material interessante para que pesquisadores e a população em geral conheçam maiores detalhes sobre a história do livro 'A Bagaceira' e seu autor, tão centrais na cena literária nacional. Tratamos de uma obra que marcou uma virada estética importante em nossa literatura e que certamente tem muito a nos dizer sobre quem já fomos, quem somos e o que podemos ser". Ele informa que o material é uma edição crítica da obra, um banco de dados sobre a sua circulação e recepção, além de artigos e capítulos de livros sobre o tema.
Por fim, a expectativa da equipe é que possa compreender melhor a história do livro, do autor e do Nordeste dos anos 1920. "Falamos de um Nordeste modernista, que ensaiava uma perspectiva própria para o modernismo, reinventando a narrativa nacional a partir de nossas experiências, tradições e valores. Com o projeto, acredito que conseguiremos de forma um pouco mais rica como se deu esse processo. E isso tudo para tornar a leitura desse livro tão importante que é A Bagaceira ainda mais interessante e mais rica", conclui.
O 'Projeto de Preservação da memória e difusão educativa, cultural e científica do acervo da Fundação Casa de José Américo', com coordenação geral da professora Lúcia de Fátima Guerra Ferreira, é realizado pela FCJA por meio de uma parceria com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq/PB), e ainda tem o apoio da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba (Secties-PB).